Qui, 22 de Julho de 2010 10:51

“Em reunião encerrada na noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa Selic em 0,50 pp., para 10,75% ao ano, reduzindo o ritmo de aperto realizado nos dois encontros anteriores. A decisão foi unânime entre os membros do Copom e o comunicado divulgado ao término da reunião trouxe alterações em relação ao texto de junho, ao mencionar um “processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos”, acrescentando que “o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo”. Em suma, foi uma breve justificativa para a mudança do ritmo de alta dos juros.

Até recentemente, havia praticamente unanimidade entre os analistas em torno de um novo aumento de 0,75 pp., diante dos fortes sinais fornecidos pelo Banco Central em seus últimos documentos (Ata do Copom de junho e Relatório Trimestral de Inflação), com discurso contendo elevada preocupação com o descompasso entre oferta e demanda na economia e os riscos inflacionários. Todavia, uma seqüência importante de dados econômicos mais amenos alterou a percepção do mercado nos dias que antecederam esta decisão, com a confirmação de acomodação da atividade econômica doméstica e recuo expressivo da inflação, culminando com a variação negativa do IPCA-15 de julho (-0,09%). Adicionalmente, a deterioração dos indicadores da economia internacional desde a última reunião também apontou na mesma direção.

Ou seja, nas últimas semanas, o cenário se tornou mais benigno para a inflação, o que levou o BC a alterar a magnitude inicialmente sinalizada de aumento dos juros. Evidentemente, acreditamos que não houve reversão das boas perspectivas para a economia do país, cujos fundamentos apontam para a continuidade da expansão sólida da demanda interna, dado que os investimentos se mantém firmes e o consumo das famílias segue bem apoiado no aquecimento do mercado de trabalho e nas novas concessões de crédito. Porém, é provável que o ritmo de crescimento migre para um patamar menos intenso que o observado na parte inicial do ano, sendo mais condizente com a capacidade de oferta do país, o que requer uma contração monetária menor que a estimada anteriormente.

Desta forma, esperamos que este movimento de hoje seja seguido de mais um ajuste de 0,50 pp. na Selic na reunião de setembro (dia 1), e a partir de então, ocorra uma parada neste ciclo de elevação dos juros. Com isso, a taxa Selic seria mantida em 11,25% ao ano, até que se possa avaliar corretamente o comportamento da demanda doméstica nos meses subseqüentes e os efeitos sobre a inflação, a fim de determinar qual a trajetória que a política monetária deverá tomar em 2011.

Como de costume, será de grande importância avaliar as justificativas desta decisão na ata, especialmente os fatores que levaram o BC a alterar o ajuste indicado nos comunicados anteriores. Com base neste conteúdo, será possível refinar o cenário esperado para as próximas decisões.”

 

Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin

Fonte: Banco Schahin

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